Austrália

Histórico

AustráliaA Austrália produz vinho há muito tempo, mas a revolução de qualidade começou há cerca de 30 anos. O país evoca planícies secas e imensas, cangurus e adoráveis coalas alojados nos eucaliptos. Mas esses são os clichês, que não retratam a realidade, pois a ilha é realmente grande e há nela paisagens e climas diferenciados.

A colonização começou com prisioneiros, mas, logo, o país atraiu imigrantes europeus que começaram a semear videiras e a fazer vinhos. Esses vinhateiros procuraram principalmente as zonas mais frias do sul, onde se concentram hoje as grandes vinícolas. Colonos alemães, por exemplo, instalaram-se no estado de South Australia e tiveram papel de destaque no desenvolvimento da vinha nesse território.

Segundo o "The Oxford Companion to Wine", a indústria vinícola começou a se estabelecer efetivamente no sul do país de 1820 a 1840. Por volta de 1870, o setor já era importante em South Australia, Victoria e New South Wales. A produção chegava a 8,7 milhões de litros. Vinte anos mais tarde, Victoria, sozinha, já produzia o dobro dessa quantidade.

A phyloxera vastatrix chegou à ilha em 1877 e fez com que Victoria perdesse a liderança para South Australia. A praga permaneceu em Victoria, mas nunca chegou às zonas de South Australia e New South Wales.

Hoje, 63 mil hectares produzem 3,23 milhões de hectolitros, colocando a Austrália na décima primeira posição entre os produtores mundiais. O consumo interno caiu um pouco nos últimos tempos, justamente quando a qualidade deu um salto, e está em torno de 18,6 litros por habitante.

Os pioneiros levaram para o solo australiano uvas européias de qualidade, as vitis-vinifera. Na Austrália não há uvas não-viníferas ou híbridas. Encontramos apenas as grandes cepas da Europa, notadamente da França. A Syrah, rebatizada como Shiraz, ainda é a mais importante entre as tintas, mas a Cabernet Sauvignon está avançando. Entre as brancas, a Sémillon ainda é a mais difundida, mas os progressos feitos pela Chardonnay são impressionantes. Essas são as principais, mas encontramos também outras cepas, inclusive algumas de Portugal, usadas nas imitações de Porto.