Argentina
Histórico
Em 1534 dois colonizadores europeus, um sacerdote chamado Padre Cidrón e Juan Jufré, o fundador da cidade de Mendoza, plantaram as primeiras videiras na Argentina. Hoje, 450 anos depois, a Argentina continua produzindo vinhos com o mesmo espírito pioneiro.
No primeiro assentamento espanhol nas terras habitadas pelos índios Huarpes, eles descobriram que a população nativa colhia e cultivava nesse clima desértico. Mesmo assim, foram os Incas os que trouxeram os conhecimentos necessários para dar vida a essa área. A irrigação artificial já era uma pratica estabelecida entre os habitantes oriundos do oeste argentino quando os europeus chegaram.
Os novos colonizadores inventaram um sistema de provisão de água mais sofisticado do que o estabelecido pelos seus antecessores indígenas. Amparando-se no degelo e na neve da Cordilheira dos Andes, eles construíram uma complicada rede de diques e largos canais para conduzir a água e providenciar suficiente irrigação às áreas que eles desejavam cultivar. É surpreendente que tão extenso oásis verde tenha sido criado e desenvolvido no deserto.
A paciência e a ingenuidade tanto dos primeiros colonizadores como dos do final do século, para desenvolver um único e complexo método para capturar a água e distribuí-la através de uma vasta rede de canais de irrigação, é tão espetacular atualmente como deve tê-lo sido nessa época.
No século XIX, a indústria começou a crescer graças à influência dos imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram ao país novas videiras e importantes técnicas vitícolas e de produção de vinhos. A introdução de variedades européias como a Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Chenin Blanc, melhoraram substancialmente a qualidade do vinho argentino.
Foram então os colonizadores italianos e espanhóis os que formaram a base da viticultura e da produção de vinhos na Argentina, outorgando à área a riqueza cultural que possui atualmente.
As estatísticas da OIV (Organisation Internationel du Vin) em 1996 confirmam a importância da Argentina no cenário vinícola internacional, especialmente no século XX: é o quinto maior produtor e o quinto maior consumidor mundial de vinhos e já ocupou a quarta posição na década de oitenta.
Durante muito tempo, a quantidade superou a qualidade nos vinhedos argentinos que se adotava o cultivo de uvas de alto rendimento, porém de baixa qualidade (Criola Grande, Cereza, etc.), e um sistema de plantação arcaico. A alta produção de vinhos inferiores inundou a mesa das famílias argentinas que não se importavam com a qualidade da sua bebida do dia-a-dia. Nas décadas mais recentes, a vitivinicultura Argentina passou a cultivar em maior escala uvas de espécies européias nobres, adotou modernas técnicas de cultivo e vinificação e, conseqüentemente passou a produzir vinhos de boa qualidade.
Embora o consumo per capita tenha diminuído, o consumidor argentino aumentou consideravelmente a produção e a exportação de grande número de vinhos de alta qualidade.
A Argentina está prestes a se transformar em mais uma estrela no cenário vinícola mundial, fora do circuito europeu, tal como ocorreu com outros países do Novo Mundo, como o seu vizinho Chile, a África do Sul, a Austrália, os Estados Unidos e a Nova Zelândia.
Apesar da sua proximidade com os Andes, as regiões vitivinícolas argentinas, ao contrário do Chile, não ficaram imunes ao ataque da praga Phylloxera vastatrix e enfrentam a adversidade de um clima seco, o que demanda cuidado redobrado e a adoção de um eficiente sistema de irrigação.
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